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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A Minha Cruz

INTRODUÇÃO
  1. Lucas 9:23
Há muitos textos nas escrituras que infelizmente costumam ser interpretados de forma bastante equivocada. É o caso do texto lido nesta manhã, que por gerações tem sido usado para destacar a necessidade de enfrentarmos com paciência e humildade as situações difíceis da vida, como se elas tornassem genuína a nossa profissão de fé, o nosso discipulado cristão.

A cruz de que fala Jesus, e que precisamos tomar sobre os ombros a fim de segui-Lo, tem sido normalmente identificada com alguma enfermidade, nossa ou de um ente querido, ou então com dificuldades financeiras, desemprego, problemas familiares, como o divórcio, filhos rebeldes, um marido ranzinza, ou uma mulher rabugenta. E há muitos que se consolam a si mesmos com o pensamento de que se essa é sua cruz, então que assim seja! Que seja feita a vontade de Deus!

Conquanto todo cristão às vezes tenha que renunciar a algumas coisas e passar por provações, a cruz de que fala o texto é bem diferente. A experiência a que Jesus Se refere aqui é muito mais dramática e dolorosa, e está relacionada à Sua própria experiência no Calvário, ou seja, a crucificação.

Em outras palavras, o princípio básico do discipulado cristão segundo o texto que lemos não tem que ver apenas com um sofrimento ou um problema qualquer, por mais grave que seja, mas, sim, com algo ainda mais difícil: a própria morte. Ser um verdadeiro cristão e ter fé genuína é muito mais que um sentimento, uma teoria, ou uma experiência puramente romântica. A verdadeira fé tem que ver com a morte, a morte do eu e a completa renúncia de si mesmo.

2.      Contexto: Para uma melhor compreensão desta passagem, vamos tentar recompor o contexto no qual Jesus pronunciou estas palavras.

Jesus e os discípulos haviam então chegado a uma das cidades nas cercanias de Cesaréia de Felipe. Este era um lugar onde predominava a idolatria, e onde pouco ou quase nada se sabia de Cristo. E Cristo se dirigiu a este lugar justamente para ter um pouco mais de privacidade com os discípulos. A Sra. White nos diz que: “Ali os apóstolos foram afastados da dominante influência do judaísmo, sendo postos em mais íntimo contato com o culto pagão. Ao redor deles se achavam representadas formas de superstição que existiam em todo o mundo. Jesus desejava que a visão destas coisas os levasse a sentir a responsabilidade para com os pagãos” (DTN, 397).

“A maior parte dos discípulos já estava com Jesus havia cerca de três anos. Apesar disso, eles nada sabiam de Sua morte. Tivesse Jesus feito essa revelação logo no início, ao serem chamados, por exemplo, e poucos, se é que alguém teria se arriscado a seguí-Lo. Somente se já O tivessem aceitado como o Messias prometido é que poderiam entender acerca de Seu sofrimento e morte” (Só Jesus, 38).

Possivelmente esta viagem aconteceu na metade do ano 30 d.C.,  no momento em que Jesus se retirou do ministério público e se dedicou a instruir seus discípulos (SDABC, 418). E diante da pergunta de Cristo (Lc 9:20), Pedro tomou a frente e respondeu: “És o Cristo de Deus”. É provável que essa idéia representasse a de todo o grupo. O Mestre agora passa a ensinar sobre sua paixão, dizendo que o Filho do Homem deveria sofrer muitas coisas, que Ele seria rejeitado e finalmente morto. A frustração é latente, a fisionomia muda e um sentimento de derrota assola o grupo.

Olhem comigo o passado vejam o que diz Ellen White: “Cristo e os doze estão caminhando ao longo da costa do mar da Galiléia, em direção a cidade que esmagará todas as suas esperanças. Não ousam nenhum diálogo com Jesus, mas falavam entre si com voz baixa e triste, a respeito do que seria o futuro” (DTN, 405).

ARGUMENTAÇÃO

  1. O ANÚNCIO DA CRUZ (Lc 9:22 e 23)
Foi somente depois da confissão de fé de Pedro e dos demais discípulos que Cristo começou a falar: “É necessário que o Filho do Homem sofra muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas; seja morto e, no terceiro dia, ressuscite”. E ao ouvir acerca de Sua morte eles ficaram “mudos de angustia e espanto” declara a Sra. White (DTN, 415).

Digerir esta idéia não foi algo fácil, para os discípulos o Messias viria para reinar, e não para sofrer. Eles ficaram confusos, preocupados, e é provável que no mesmo instante um sentimento de profundo temor tenha invadido o coração de cada um deles. Será que não haviam cometido um erro? Os apóstolos deixaram tudo para seguir a Jesus, e agora estavam diante da possibilidade de que tudo aquilo pudesse não dar em nada. Todos os seus sonhos com relação ao reino messiânico ruíram.

Mas Cristo não parou por aí. Além de fazer que os discípulos procurassem entender que a Sua missão era de natureza espiritual, e implicava Sua morte e ressurreição, Ele também disse que se eles realmente desejassem seguí-Lo, também  precisariam passar pela mesma experiência. “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me”. Queridos imaginem a confusão na cabeça desses homens. Eles não apenas esperavam que Jesus em breve Se tornaria Rei, como também almejavam participar da honras desse reinado. Os irmãos sabem, eles viviam discutindo que entre eles quem seria o maior. Agora, porém Cristo fala em abnegação e morte, e o pior tipo de morte: a morte de cruz.

O fato de Jesus ter que morrer, portanto, por si só já os assustou, mas agora essa de que eles também deveriam tomar uma cruz sobre os ombros e acompanhar o Mestre em Seu sofrimento e morte... essa idéia lhes pareceu particularmente pavorosa. E não havia nenhum mal entendido. As palavras de Cristo foram bem claras. Tomar a cruz e seguir a Jesus não podia significar outra coisa para os discípulos, senão se colocar na posição de um condenado a caminho de sua execução. Não há dúvida. Jesus não estava falando de outra coisa a não ser de morte.

  1. A FÉ NA CRUZ
Esse momento com os discípulos significou os momentos mais importantes para o cristianismo, Cristo enunciou o princípio básico do discipulado cristão, digo melhor, o verdadeiro sentido da fé: a morte do eu, e seu total aniquilamento.

Os discípulos pensavam haver atingido o ponto mais alto de sua religião ao confessar sua fé em Jesus como Filho de Deus. Mas isso, porém era só o começo. Da mesma forma hoje, há muitos que aceitaram a Jesus como seu salvador. São crentes sinceros, mas a fé ainda é pequena e frágil, porque lhes falta entender a gravidade do seu pecado. Há outros que aceitam e entendem, mas ainda não passaram pela experiência da cruz, pela experiência da morte. Limitam-se a um conhecimento teórico. Confundem fé com mero assentimento intelectual, e com isso se enganam achando que o conhecimento que possuem é tudo o que precisam na vida cristã.

LeRoy Edwin Froom em seu livro “A vinda do Consolador (p. 172)” nos adverte: “Eu não posso continuar sendo algo, se Deus não for tudo. O eu não pode jamais expulsar o eu. Em cada coração há uma cruz e um trono. Se Jesus está no trono, o eu está na cruz”. Acontece que muitos de nós temos a Jesus somente como Salvador, e negligenciamos a Cristo como Senhor. Olhe agora para o seu coração quem está na cruz? Quem ocupa o trono da sua vida? Queridos, Jesus quer nos salvar dos pecados e não nos pecados. Alguns se esquecem que o mesmo Deus que perdoa, é também o Deus que transforma.

É possível que nesta manhã aqui nesta igreja tenha pessoas que ainda não passaram pela cruz. Pessoas que aceitaram a cristo somente como Salvador e não como Senhor. Eu quero dizer que a morte de Cristo não garante automaticamente o perdão a nenhum de nós. A menos que a aceitemos pela fé, ela não nos será de nenhum proveito. A fé que nos dá a vida é a fé que passa pela morte, morte com um símbolo de uma profunda e definitiva negação de nós mesmos.

Negar a si mesmo, portanto, significa negar ou deserdar o nosso ego imperioso e pecaminoso, renunciando a nosso suposto direito de seguir o nosso próprio caminho. Não há como entregar apenas metade do coração a Jesus. Ou Cristo ou o próprio eu ocupa o trono do nosso coração, mas Cristo só poderá ocupá-lo se o eu estiver cravado na cruz. “Quase cristãos mas não plenamente, parecem estar perto do reino do Céu, mas não podem ali entrar. Quase, mas não completamente salvos, significa estar não quase, porém completamente perdidos” (PJ, 118).

É por isso que Paulo declara: “E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos” (NVI-Gl 5:24).

  1. A MINHA CRUZ
A metáfora da crucificação usada por Jesus e Paulo para ilustrar a renúncia do eu é bastante adequada porque em primeiro lugar, assim como ninguém consegue crucificar a si mesmo, assim também a morte do eu não é uma conquista pessoal. Ninguém consegue, por si mesmo, se livrar de sua velha natureza e mudar a egocêntrica maneira de viver para uma vida totalmente centralizada em Cristo. Isso é obra do próprio Cristo em nós mediante o poder do Espírito Santo.

“Sozinhos, o máximo que poderíamos fazer numa cruz seria pregar os nossos pés, mas não as nossas próprias mãos. Assim também acontece na vida espiritual. Confiados em nossa própria força, até poderemos superar algumas de nossas paixões e corrigir alguns dos excessos de nossa natureza. Não poderemos, todavia, submetê-la por completo, visto não termos em nós mesmos nem poder e nem disposição suficiente para fazê-lo” (EGW, Educação, 28).

A segunda razão é porque raramente alguém morre no mesmo dia em que é crucificado. A morte por crucificação pode demorar às vezes até oito dias para ocorrer. É por isso que os romanos costumavam deixar soldados no local da execução: para que ninguém viesse durante a noite ou no dia seguinte e resgatasse o condenado ainda vivo na cruz.

O mesmo acontece na vida espiritual. A morte do eu não é instantânea, não ocorre no momento exato em que o pregamos na cruz, razão pela qual deve haver constante vigilância de nossa parte, para que satanás não resgate esse eu ainda vivo da cruz e o faça mais presente e mais forte do que nunca em nossa vida, levando-nos assim a ruína espiritual.

Se falharmos na vigilância da cruz, o inimigo vem e, sem que ninguém perceba, ele tira da cruz o velho homem ainda vivo, e o fortalece, e faz com que ele volte a dominar os pensamentos e ações, destruindo a fé e nos afastando definitivamente de Deus. Portanto, ao contrário do que alguns pensam, salvação não é algo que ocorre uma vez para sempre.

CONCLUSÃO

1.      Embora a salvação seja um dom de Deus (Ef 2:8), ela o é somente para aqueles que morrem para si mesmos, e que se entregam sem reservas a Cristo, e que estejam dispostos a viver por Ele.

2.      Só seremos realmente salvos se nossa fé nos levar a seguir os passos de nosso Senhor rumo ao calvário, e ali dividir com Ele o lugar da cruz, num símbolo de completa renúncia do eu. “A luta contra o próprio eu é a maior batalha que já foi ferida” (EGW, CC, 43).

3.      Tão importante quanto ser crucificado é permanecer crucificado, do contrário o velho eu poderá reviver e reassumir o controle sobre nós. Não pode haver descanso, não pode haver trégua. Somente por meio do correto exercício da vontade, e muita oração, é que poderemos impedir o inimigo de raptar da cruz o nosso eu e se apossar definitivamente dele. “Resisti ao diabo” diz a Bíblia, “e ele fugirá de voz” Tg 4:7.

4.      “Muitos se perderão”, diz a Sra. White, “enquanto esperam e desejam ser cristãos. Não chegam ao ponto de render a vontade a Deus. Não escolhem agora ser cristãos” (EGW, CC, 48). Por mais louco que pareça, em termos espirituais morrer significa viver. Quantos nesta manhã gostariam de repetir junto comigo as palavras do apóstolo Paulo em Gl 2: 20: “logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A Salvação, o Camelo e a Agulha

INTRODUÇÃO


Lucas 18:18-30    


ARGUMENTAÇÃO

1.      V.18 - Certo homem de posição perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna? 

a.      Bom Mestre (didaskale agathé) – esta saudação não era empregada aos rabinos, porque atribuía ao homem um atributo que somente Deus possuía. Foi com certeza um gesto de lisonja impensada. O príncipe dirigiu-se a Cristo meramente como a um rabino honrado, não reconhecendo nEle o filho de Deus (EGW. PJ. 390). Acompanhe o verso: 19 Por que me chamas bom? Ninguém é bom, senão um, que é Deus.

b.      O jovem rico deseja fazer algo para receber a vida eterna. Supunha que a vida eterna devesse ser merecida, e que fosse necessária alguma boa obra que não estava praticando na ocasião. Indubitavelmente desejava alcançar a vida eterna mediante os seus próprios esforços.

2.      20 Sabes os mandamentos: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra a teu pai e a tua mãe.  21 Replicou ele: Tudo isso tenho observado desde a minha juventude. 

a.      O jovem pergunta o que devia fazer, de modo que Jesus respondeu em termos de fazer, dirigindo-se aos Mandamentos. Quando alguém leva a sério as exigências da Lei, está no caminho para chegar a Cristo. “De maneira que a lei nos serviu de aio (paidagogós) para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé.” (Gl 3:24).

b.      Cinco Mandamentos são escolhidos por Jesus e apresentados fora da ordem original:

                                                              i.      Não adulterarás, 7° mandamento – lealdade à família.
                                                            ii.      Não matarás, 6°
                                                          iii.      Não furtarás, 8° mandamento – propriedade.
                                                           iv.       Não dirás falso testemunho, 9°
                                                             v.      Honra a teu pai e a tua mãe. 5° - lealdade à família.

c.  Somos quase obrigados a presumir que esta nova ordem é intencional, e serve a algum propósito. Qual é o objetivo? Por que essa inversão? Por que a omissão do Décimo Mandamento?

d.      A ênfase é sem dúvida a família e as propriedades. A lealdade da família abre e fecha a lista. Entenda por que: estes dois valores, FAMILÍA e PRORIEDADE, são as mais elevadas exigências de lealdade de qualquer pessoa no Oriente Médio.

3.      21 Replicou ele: Tudo isso tenho observado desde a minha juventude.

a.      Ele não entendeu ... Tinha algo a mais que ultrapassava a barreira do simples cumprir regras. O jovem não reconhecia sua posição e condição diante desses Mandamentos citados por Jesus. Por isso responde que cumpria tudo desde menino. Esta foi uma resposta superficial, e não infundada, pois havia uma tradição rabínica de que era possível guardar todas as ordenanças da Torá.

4.      22 Ouvindo-o Jesus, disse-lhe: Uma coisa ainda te falta: vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois, vem e segue-me.  23 Mas, ouvindo ele estas palavras, ficou muito triste, porque era riquíssimo.

a.      A ordem: vende tudo e segue-me, tocam no âmago dos mesmos valores sugeridos pela reordenação dos Mandamentos, FAMÍLA E PROPRIEDADE.

b.      Em outras palavras Jesus propõe: lealdade a Ele em oposição à lealdade da sua família e das suas propriedades.

c.       O caso de Abraão: (1) deixar a casa, Ur. (2) matar Isaque.

5.      24 E Jesus, vendo-o assim triste, disse: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!  25 Porque é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus. 

a.      Duas tentativas surgiram para minimizar a afirmação do verso 25.

                                                              i.      A primeira é linguística, envolve a mudança de uma vogal grega. Em vez de Kamelon (camelo) seria Kamilon (corda, cordão).

                                                            ii.      A segunda é uma cena comum nas comunidades do oriente. As portas das aldeias eram suficientemente grandes tendo aproximadamente 3,5mX4m, feitas de madeira maciça. Portanto, muita mão de obra para abri-las; por isso, elas eram abertas apenas quando camelos carregados passavam. O movimento comum das pessoas de entrar e sair era facilitado por uma portinhola recortada na porta grande. No passado alguns comentaristas bíblicos diziam que essas portinholas eram o fundo da agulha. Contudo não há nenhuma evidência de que estas portinholas recebiam o nome de “fundo”, “buraco” ou “olho da agulha”.

b.      O que temos é o uso de uma figura de linguagem, hipérbole, destacando um exagero, algo impossível.

c.       Entrar no Reino mediante confiança nas propriedades e na riqueza é difícil; de fato é impossível. Normalmente a pessoa que tem muitas riquezas tem a tendência de querer adquirir com meios próprios a sua entrada no Céu. O que é estranho.

6.      26 E os que ouviram disseram: Sendo assim, quem pode ser salvo?  27 Mas ele respondeu: Os impossíveis dos homens são possíveis para Deus. 

a.      Os judeus acreditavam que as riquezas eram um sinal das bênçãos de Deus. De acordo com seu raciocínio, se os ricos não podiam ser salvos, que esperança haveria pra eles?

b.      A salvação, para os ricos ou para os pobres, sempre é um milagre da graça divina. Sempre é dádiva de Deus.

c.       Não é o fato de possuir riquezas que impede as pessoas de entrarem no céu, Abraão, Jó, Salomão foram homens extremamente ricos. Antes, é o fato de ser possuído pelas riquezas e de confiar nelas que dificulta a salvação dos mais abastados.

7.      28 E disse Pedro: Eis que nós deixamos nossa casa e te seguimos.  29 Respondeu-lhes Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou mulher, ou irmãos, ou pais, ou filhos, por causa do reino de Deus, 30 que não receba, no presente, muitas vezes mais e, no mundo por vir, a vida eterna.

a.       A palavra traduzida como casa, está incorreta, não seria esta a melhor tradução para o vocábulo Hidia, o termo que dizer literalmente: “deixamos o que é nosso”. Esta expressão foi cunhada em algumas versões árabes, e dá a entender pessoas tanto quanto propriedades.

b.      Lucas 14:33 diz: “Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo”.

CONCLUSÃO

1.      É possível que o jovem rico seja o único homem dos evangelhos a colocar-se aos pés de Jesus e, depois, partir numa situação pior do que quando havia chegado.

2.      O jovem rico é uma advertência aos que desejam uma fé cristã que não mude seus valores nem perturbe seu estilo de vida.

3.      O amante de si mesmo é transgressor da lei. Isto quis Jesus revelar ao jovem, e submeteu-o a uma prova de modo tal, que manifestaria o egoísmo de seu coração. Mostrou-lhe a nódoa do caráter. O jovem não desejou mais esclarecimento. Nutrira na alma um ídolo - o mundo era o seu deus (EGW. PJ. 392).

4.      De fato, homens e mulheres de fé em todas as épocas têm descoberto que as exigências impossíveis de obediência se tornam possíveis através do milagre da graça de Deus. A salvação deve ser uma obra de Deus, e não uma realização de seres humanos.

5.      A vida eterna não é herdada através de boas obras, mas recebida por aqueles que permitem que Deus opere o impossível dentro deles.

6.      A salvação está além do alcance humano; é possível apenas para Deus.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A Visão Apocalíptica Sinótica

Baseado na obra: A visão apocalíptica e a neutralização do adventismo – George R. Knight

INTRODUÇÃO

A visão apocalíptica sinótica tem um fluxo diferente do encontrado no livro do Apocalipse. No Apocalipse a visão do grande conflito se desenvolve de forma progressiva na história atingindo seu auge com a volta de Jesus e o estabelecimento de Seu reino eterno. Já nos sinóticos cada apresentação começa com aquilo que consideramos “os sinais dos tempos”, e termina com o conselho de vigiar e estar pronto, pois ninguém realmente sabe quando virá o fim.

Veja que o objetivo dos sinais é chamar nossa atenção para o fato de que precisamos viver em estado de contínua expectativa ao aguardamos o segundo advento. Isso se deve ao fato de que a maioria dos sinais lida com eventos que se repetem ao longo da história. Sendo assim, os sinais não se resumem a nos dizer quando virá o fim. Mt 24:36 diz: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai.”

A função dos primeiros 41 versos de Mateus 24 é desenvolver nos verdadeiros fiéis a consciência do advento e prepará-los para as instruções dos versos posteriores, Mt 24:42 a 25:46, aqui Jesus nos exorta para vigiarmos e nos prepararmos para o maior evento da história deste mundo.

As cinco parábolas encontradas em Mt 24, 25; (e nos seus paralelos no livro de Marcos e Lucas) revelam o que precisa acontecer na vida do crente enquanto esse dia não chega.

ARGUMENTAÇÃO

1. Primeira Parábola – O pai de família – Mt 24:43-44 (ler os versos)

a. Um estado constante de alerta e prontidão para a volta do Senhor é a mensagem desses dois versos.

b. É interessante notar que, ao longo da história, o momento em que menos se aguarda a volta de Cristo é sempre “hoje”.

c. William Barclay conta a parábola de três aprendizes do diabo selecionados para ser enviados à Terra para completar seu treinamento. Cada um apresentou seu plano a Satanás para a destruição da humanidade. O primeiro propôs-se a dizer às pessoas que Deus não existe. Satanás respondeu que isso não enganaria muitos, pois a maioria tem a sensação do contrário. O segundo disse que proclamaria que o inferno não existe. Satanás rejeitou essa tática também, pois a maioria das pessoas tem noção de que o pecador receberá o que merece. O terceiro disse: Direi aos humanos que não há pressa. Vá, respondeu satanás, e você arruinará milhares de homens.

2. Segunda Parábola – A parábola do bom servo e do mau – Mt 24:45-52

a. Essa parábola enfatiza que os cristãos têm deveres e responsabilidades éticas a ser colocadas em prática enquanto esperam e vigiam. Não devem aguardar na ociosidade.

b. Infelizmente, a demora pode gerar mau comportamento, ou seja um afrouxamento das crenças fundamentais, as paixões carnais sobre saem.

c. Uma sentença é expedida, os servos infiéis perderão sua recompensa celestial e no lugar dela receberão a mesma sorte dos ímpios, VS 50 e 51 dizem: “virá o senhor daquele servo em dia em que não o espera e em hora que não sabe e castigá-lo-á, lançando-lhe a sorte com os hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes.”

3. Terceira Parábola – A parábola das dez virgens – Mt 25:1-13

a. Observe que todas as virgens eram aparentemente cristãs, pois todas aguardavam a chegada do noivo. A ênfase está no preparo delas sobre suas lâmpadas. Talvez haja uma distinção nominal entre elas, ou seja, cristãs apenas de nome.

b. O ponto principal dessa parábola é que o noivo demorou a chegar. Por esse motivo, as virgens adormeceram. As necessidades terrenas continuam até mesmo enquanto os seguidores de Cristo aguardam sua vinda.

c. Mateus 25:13 apresenta a moral da história, o texto diz: “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora”. A moral dessa história também foi a lógica que permeou as duas primeiras parábolas já analisadas. Esta, porém, apresenta o conceito crucial de que ninguém pode se apoiar na preparação de outra pessoa. Enfrentaremos o julgamento de Deus individualmente.

d. Nota-se que esta parábola não indica a maneira de nos prepararmos para a chegada do noivo. Esse será o tema das duas parábolas finais.

4. Quarta Parábola – A parábola dos talentos – Mt 25:14-30

a. Novamente a importância de estar pronto para a vinda do Mestre é destacado, vejamos o verso 19: “Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles”.

i. MAS O QUE EXATAMENTE SIGNIFICA ESTAR PRONTO?

b. O significado de estar pronto é a mensagem da parábola dos talentos.

c. VAMOS RECAPTULAR ESTA HISTÓRIA ...

d. A lição é clara: estar preparado para a vinda de Cristo não significa aguardar passivamente esse evento; estar pronto é a atividade responsável que produz resultados para o reino do Céu. Resultados esses que podem ser mensurados por Deus.

e. Aprendemos também nessa história que Deus não espera o mesmo resultado de todo mundo. Não é a quantidade de habilidades ou dons de uma pessoa que será avaliada no julgamento, mas se ela usou a gama completa de qualidades que Deus lhe outorgou. Nós não somos iguais em nossas habilidades, mas podemos ser iguais em esforço.

5. Quinta Parábola – A parábola das ovelhas e dos cabritos (cena do juízo) Mt 25:31-46 (ler todo o texto)

a. Enquanto que as três primeiras parábolas discutidas hoje enfatizam o ato de vigiar e estar prontos, a quarta, a parábola dos talentos, reforça o ato de trabalhar enquanto aguardamos o retorno do Mestre. Já esta última parábola mostra a natureza essencial desse trabalho.

b. A cena mostra o juízo em andamento, a decisão do julgamento não pode ser revogada com apelos ou recursos, a cena é de finalização. Aqueles que deixaram de fazer uso apropriado do tempo de espera e vigilância antes do segundo advento terão perdido para sempre o reino eterno.

c. A surpresa é o elemento crucial nessa parábola, ovelhas e cabritos questionam o veredito. O motivo surpresa surge da falsa interpretação da verdadeira religião.

i. Mq 6:8

ii. Is 58:6-10

iii. Hb 13:3

iv. Tg 1:27; 2:14-17

v. Rm 13:8-10

d. A questão real; do julgamento é se demonstramos amor verdadeiro ao próximo.

e. Ellen White comentando este texto diz no livro DTN, pág 637.: “Assim descreveu Cristo aos discípulos, no Monte das Oliveiras, as cenas do grande dia do Juízo. E apresentou sua decisão como girando em torno de um ponto. Quando as nações se reunirem diante dEle, não haverá senão duas classes, e seu destino eterno será determinado pelo que houverem feito ou negligenciado fazer por Ele na pessoa dos pobres e sofredores.”

f. Alguns sustentam usando esses versos que a salvação ocorre pelas obras, mas tal interpretação é equivocada. A passagem fala a respeito do padrão do julgamento final, e não como alcançamos a salvação.

g. Se estamos salvos, nossa vida produzirá evidencias de que internalizamos a graça e o amor de Deus pela disposição de transmitir esses dons ao próximo.

i. Joachim Jeremias escreveu: “No julgamento final, Deus procurará a fé que foi vivida.”

ii. Leon Morris declarou: “Devemos manter em mente o que é comum em toda escritura que somos salvos pela graça e julgados pelas obras [...] As obras que fizemos são a evidência da graça de Deus em ação em nós ou de nossa rejeição da graça.”

h. A qualificação essencial para o reino de Deus é a internalização inconsciente do amor de Deus e sua expressão na vida diária.

CONCLUSÃO

1. 2Pe 3:1-11

2. Carlos Fitch

a. Carlos Fitch, um pastor presbiteriano, aceitou a mensagem do advento ao ler as palestras de Guilherme Miller e ao conhecer Josias Litch. Ele se entregou inteiramente à proclamação do esperado advento de Cristo por ocasião do encerramento do período dos 2.300 anos, e se tornou um líder de destaque. Em 1842, ele preparou o quadro profético da estátua de Daniel 2. Sua morte se deu em decorrência de ele se ter exposto em demasia durante três cerimônias batismais que realizou numa manhã fria de outono. Aparentemente, em conseqüência disto, adoeceu e, na segunda-feira, 14 se outubro de 1844, faleceu. Oito dias antes da data esperada para o retorno de Cristo. Não é difícil imaginar os dois filhos sobreviventes perguntando em meio às lágrimas após o funeral: “Mamãe, nós veremos o papai novamente?” “Sim queridos, em poucos dias, quando Jesus retornar”. Respondeu corajosamente a Sra. Fitch. Na terça-feira à noite do dia marcado (22/10/1844) eles soluçaram: “Por que papai não veio hoje?”

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Filipe - O Evangelista

1. Atos 8:26-40

2. Lucas é o único autor gentil (não judeu) canônico, ele escreveu dois livros, um dos evangelhos que leva o seu nome e o livro de Atos. O manuscrito mais antigo que contém partes do livro de “Atos” é o P45, datado do final do I século e início do II século, neste documento o nome livro se restringe somente a “ATOS”. A partir do II século da nossa era o livro recebe um acréscimo no nome original, passe então a ser chamado de “Atos dos Apóstolos”. O motivo é simples, vários autores não canônicos escreveram biografias dos apóstolos e nomeavam seus livros como: “Atos de João, de Pedro ou de André”; surgindo assim a necessidade da distinção entre os livros inspirados e não inspirados.

3. Contexto: O livro abarca um período aproximadamente de 32 anos de história, que começa no ano 31dC e vai até o ano 63dC. O relato que lemos ocorre no ano 34dC, ano da morte de Estevão, estava em vigência em Roma o Imperador Tibério .

4. Candace: Este era um título dinástico / real, como Faraó, no Egito, ou César entre os romanos, e não o nome de uma determinada rainha.

5. Prosélito: Um pagão que se converte a determinada religião.

ARGUMENTAÇÃO

1. O preparo prévio do evangelista

Filipe já havia se decidido pelo evangelho, em At 6:5 ele é nomeado um dos sete diáconos, em At 8:4-8 ele exerce um ministério evangelístico em Samaria. Queridos percebam uma coisa, Deus não chama pessoas desocupadas ou descomprometidas para a sua causa. Ele poderia levar outra pessoa, mas escolheu Filipe, há uma razão para isso? Sem dúvidas, pois Filipe era um crente ocupado com os afazeres da causa de Deus. Isto é tão verdade que se tornou até um dito popular: “Se você quiser a ajuda de alguém peça a alguém que está ocupado”.

Um dos pontos altos desse relato que eu destacaria é o fato dele ouvir a voz de um anjo e do Espírito. Será que qualquer pessoa está habilitada para ouvir a voz de Deus? Será que todos estão em harmonia com o céu a ponto de ouvirmos um chamado divino para a pregação? Vejamos o verso novamente:

a. Filipe ouve a voz do anjo – v.26

Ele não pôs em dúvida o chamado, nem hesitou em obedecer, pois havia aprendido a lição da conformidade com a vontade de Deus. O anjo enviado a Filipe poderia ter ele próprio feito a obra pelo etíope, mas esta não é a maneira de Deus agir. É seu plano que os homens trabalhem por seus semelhantes.

b. Filipe ouve a voz do Espírito – v.29

Muitos há que estão lendo as Escrituras sem compreender o verdadeiro significado. Em todo o mundo homens e mulheres olham atentamente para o Céu. De almas anelantes de luz, de graça, do Espírito Santo, sobem orações, lágrimas e indagações. Muitos estão no limiar do reino, esperando somente serem recolhidos. Temos ouvido a voz do Espírito, aproxima-te deste carro? Aproxima-te deste vizinho? Aproxima-te deste amigo? Aproxima-te deste parente?

2. A técnica do evangelista

Uma senhora crente, casada com um sapateiro incrédulo, procurou certa vez o pastor de sua igreja e assim lhe falou:

– Reverendo, o meu marido é incrédulo. Tenho orado constantemente em seu favor, porém tem sido tudo em vão. É sempre nervoso e irritado. Venho perguntar-lhe: O que devo fazer em seu favor?

– É uma coisa muito difícil de responder, mas a senhora continue a orar com perseverança. Eu, de minha parte, me proponho a ajudá-la de alguma maneira prática.

Um dia o ministro estava numa livraria e viu um livro velho para ser vendido como saldo, livro que tratava de couros e curtumes. Lembrando-se do sapateiro incrédulo, teve no momento uma idéia luminosa, e comprou esse livro. Leu-o durante muitos dias e conseguiu apropriar-se de muitos ensinamentos sobre o assunto. Quando se julgou habilitado, apanhou um par de sapatos estragados e foi à casa do sapateiro. Este, quando o viu entrar, cismou consigo: "Hoje vamos ter um sermão." Mas enganou-se. O ministro não tocou numa palavra do Evangelho. Disse ao que ia, contratou o conserto dos sapatos que levara. Ao sair, porém, com intenção de puxar prosa, abaixou-se e, tomando um pedaço de couro caído ao chão, começou a falar sobre a sua qualidade, e curtume, e processo de beneficiar os couros. O sapateiro sentiu horas felizes ouvindo falar sobre sua profissão e sobre uma matéria a que ninguém dava o devido cuidado.

À tarde, chegando em casa, com a fisionomia alegre, o sapateiro falou à sua mulher:

– Sabe quem esteve hoje na loja? O pastor de sua igreja.

– Sim?! E que é que ele foi fazer na sua loja?

– Levar uns sapatos velhos para consertar e dar dois dedos de prosa comigo. Mas que homem inteligente! Fiquei entusiasmado em ouvi-lo.

O ministro, por sua vez, percebendo que o sapateiro precisava de auxílio e de serviço, pediu aos crentes que o procurassem para fazer o conserto de seus calçados. O sapateiro ficou animado e começou a mudar de atitude, com o prestígio que os crentes lhe davam.

Um domingo muito chuvoso, o sapateiro; disse à mulher:

– Com esta chuva nem posso dar o meu passeio. Estou quase indo com você ao culto!

– Pois vamos! disse ela com alegria.

O estudo do couro foi a isca, que o ministro usou para pescar o sapateiro, mas o motivo foi a simpatia por aquela alma perdida, que precisava de trabalho, de estímulo e de uma alma caridosa, que o interessasse.

O pastor Mark Finley desenvolveu um método de evangelismo que ele mesmo o chamou de “Método Cebola”. O que vem a ser isto, veja. Começar um diálogo respeitando a seguinte ordem: assuntos gerais (esportes, política, tempo), pessoais (profissional, financeiro, família) e específicos (o que a pessoa pensa sobre Deus, o que ela acha da morte, fim do mundo). Quando chegarmos nos assuntos específicos e ao tratar sobre religião, peça permissão para apresentar a verdade. Já nos outros pontos ache sempre um meio de concordar com alguma coisa que a pessoa está dizendo, segundo ele isso ajudará a ganhar a simpatia da pessoa.

Queridos voltem ao texto, e pergunto se Filipe não seguiu uma lógica ao expor a mensagem ao etíope.

a. Filipe desperta curiosidade – v.30

b. Filipe explica o texto – v.31

c. Filipe mostra Jesus – v.35

Nossa abordagem deveria sempre começar com conhecido para o desconhecido, sendo assim deveríamos começar falando de Jesus, e depois passar para os assuntos menos conhecidos ou polêmicos.

3. O resultado do evangelista – v.38

O coração do homem fremia de interesse ao serem-lhe explicadas as Escrituras; e, ao discípulo terminar, estava pronto para aceitar a luz proporcionada. Ele não fez de sua elevada posição mundana uma desculpa para recusar o evangelho.

Você pode pensar que este batismo foi do tipo “lava rápido”, mas vamos recapitular os fatos, parece que este eunuco era um prosélito judeu que tinha ido a Jerusalém para adorar no templo. Prosélitos e judeus viajavam a Jerusalém com este propósito, como pode ver-se pela contagem dos que estavam presentes na celebração do Pentecostes At 2:10. De acordo com o João 12:20, uns gregos também foram às festas celebradas em Jerusalém. Concluímos que como judeu a única coisa que lhe faltava era aceitar Jesus, nada mais poderia impedir seu batismo.

Este etíope era homem de boa posição e grande influência. Deus viu que quando se convertesse, proporcionaria a outros a luz que recebera, e exerceria forte influência em prol do evangelho. Anjos de Deus estavam auxiliando este inquiridor de luz, e ele estava sendo atraído para o Salvador.(EGW, AA, 54)

Indubitavelmente o resultado do evangelismo é medido pelo número de batismos. Há de se ter um cuidado aqui para não simplesmente alcançar alvos. Mas preparar candidatos para o reino celeste. O Pr Paulo Silas em sua tese doutoral fez um estudo nas nossas séries de estudos bíblicos. A conclusão não é muito boa, ele descobriu que cada série nova lançada tinha menos textos bíblicos que a anterior.

Isto é grave, e o reflexo deste despreparo tem se refletido em nossas igrejas, o apóstolo Paulo em sua carta aos Efésios já nos advertia sobre este perigo, Ef 4:14 “para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro”.

4. Continuação como evangelista – v.40

“Mas Filipe veio a achar-se em Azoto; e, passando além, evangelizava todas as cidades até chegar a Cesaréia.”

Filipe uma vez evangelista, sempre evangelista. At 21:8 “No dia seguinte, partimos e fomos para Cesaréia; e, entrando na casa de Filipe, o evangelista, que era um dos sete, ficamos com ele.”

CONCLUSÃO

1. Não somente o ministro ordenado repousa a responsabilidade de sair a cumprir esta missão. Todo o que haja recebido a Cristo é chamado para trabalhar pela salvação de seus semelhantes. É um erro fatal supor que a obra de salvação de almas depende só do ministério.

2. Segundo Ellen White este etíope representa uma grande classe que necessita ser ensinada por missionários como Filipe – homens que ouçam voz de Deus, e vão aonde Ele manda.

3. Longamente tem Deus esperado que o espírito de serviço se apodere de toda a igreja, de maneira que cada um trabalhe para Ele segundo sua habilidade. Quando os membros da igreja de Deus fizerem a obra que lhes é indicada nos necessitados campos nacionais e estrangeiros, em cumprimento da comissão evangélica todo o mundo será logo advertido, e o Senhor Jesus retornará à Terra com poder e grande glória. Mt 24:14 “E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim”.

4. Em seu pequeno livro A Oração Muda as Coisas, Gordon imagina uma conversação entre Cristo e o anjo Gabriel, logo após a ascensão de Cristo.

Gabriel pergunta a Jesus que planos Ele fez para que o mundo saiba que Ele viveu, morreu e ressurgiu. E o Mestre deve ter respondido: "Pedi a Pedro, Tiago e João, e mais alguns lá, que se entregassem à obra de pescar homens e dizer-lhes as coisas que viram. E os outros dirão o mesmo a outros, e assim por diante, até que o último homem tenha ouvido a história e tenha sido transformado pelo poder dela".

Mas Gabriel, preocupado, parece encontrar certa dificuldade no plano do Mestre e diz: "Sim, Senhor, porém suponhamos que depois de algum tempo Pedro se esqueça. Suponhamos que João perca o entusiasmo, e simplesmente não conte a outrem a história. Imaginemos que seus sucessores até ao século XX fiquem tão ocupados, que não contem a história aos outros. Que acontecerá então?"

E a voz serena de Jesus replica: "Gabriel, não fiz outros planos. Estou contando com eles".

"Na cruz morri por ti. Que fazes tu por mim?"